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História do Município

Boca do Acre: Sentinela do Sul do Amazonas

O município de Boca do Acre, sentinela do sul do Amazonas, possui uma história forjada na bravura dos pioneiros nordestinos e na riqueza do Ciclo da Borracha. Localizado estrategicamente no encontro de dois colossos fluviais, sua trajetória é um testemunho da integração entre o homem e a floresta.

As Origens: O Ciclo da Borracha e os Pioneiros

A gênese de nossa cidade remonta ao final do século XIX, impulsionada pela grande migração de nordestinos — especialmente cearenses — que buscavam na Amazônia uma nova esperança, fugindo da grande seca de 1877.

A figura central deste período foi o Comendador João Gabriel de Carvalho e Melo. Navegando pelo Rio Purus, ele liderou a expedição que desbravou a região, estabelecendo os primeiros seringais que dariam vida econômica ao local. A posição geográfica privilegiada, onde o Rio Acre deságua no Rio Purus, transformou a localidade em um ponto estratégico de comércio e navegação, vital para o escoamento da borracha produzida na região.

Emancipação Política e Evolução Administrativa

A formação administrativa de Boca do Acre passou por diversas fases que refletem a dinâmica política da época:

  • 1890 (O Início): Em 22 de outubro de 1890, através do Decreto Estadual nº 67, foi criado o município com a denominação original de Antimari, desmembrado do território de Lábrea. Esta é a data magna em que celebramos o aniversário de nossa cidade.
  • 1897 (Floriano Peixoto): Após um breve período de extinção administrativa, o município foi restaurado em 1897, recebendo o nome de Floriano Peixoto, em homenagem ao segundo presidente do Brasil.
  • 1938 (Identidade Definitiva): Com o desenvolvimento do povoado situado na foz do rio, a sede administrativa foi transferida. Em 1º de dezembro de 1938, pelo Decreto-Lei Estadual nº 176, o município assumiu oficialmente o nome que o consagra geograficamente: Boca do Acre.
Geografia e Cultura

O nome “Boca do Acre” é uma referência direta à sua geografia singular: a cidade nasceu e cresceu na “boca” (foz) do Rio Acre, onde este encontra as águas barrentas do Rio Purus. Essa união das águas não apenas batizou a cidade, mas também define sua vocação como polo de integração regional.

Culturalmente, o município preserva as raízes de seus fundadores, misturando a tradição nordestina com a herança dos povos indígenas originais, como os Apurinã e Jamamadi. A devoção religiosa também é uma marca forte do nosso povo, que celebra seus padroeiros São Pedro Apóstolo e São Francisco de Assis.

Boca do Acre Hoje

Hoje, Boca do Acre é um município vibrante que honra seu passado enquanto olha para o futuro. Com uma economia baseada na pecuária e na agricultura familiar, a cidade se destaca no cenário estadual como um exemplo de resiliência e trabalho.

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