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O município de Boca do Acre, sentinela do sul do Amazonas, possui uma história forjada na bravura dos pioneiros nordestinos e na riqueza do Ciclo da Borracha. Localizado estrategicamente no encontro de dois colossos fluviais, sua trajetória é um testemunho da integração entre o homem e a floresta.
As Origens: O Ciclo da Borracha e os Pioneiros
A gênese de nossa cidade remonta ao final do século XIX, impulsionada pela grande migração de nordestinos — especialmente cearenses — que buscavam na Amazônia uma nova esperança, fugindo da grande seca de 1877.
A figura central deste período foi o Comendador João Gabriel de Carvalho e Melo. Navegando pelo Rio Purus, ele liderou a expedição que desbravou a região, estabelecendo os primeiros seringais que dariam vida econômica ao local. A posição geográfica privilegiada, onde o Rio Acre deságua no Rio Purus, transformou a localidade em um ponto estratégico de comércio e navegação, vital para o escoamento da borracha produzida na região.
A formação administrativa de Boca do Acre passou por diversas fases que refletem a dinâmica política da época:
O nome “Boca do Acre” é uma referência direta à sua geografia singular: a cidade nasceu e cresceu na “boca” (foz) do Rio Acre, onde este encontra as águas barrentas do Rio Purus. Essa união das águas não apenas batizou a cidade, mas também define sua vocação como polo de integração regional.
Culturalmente, o município preserva as raízes de seus fundadores, misturando a tradição nordestina com a herança dos povos indígenas originais, como os Apurinã e Jamamadi. A devoção religiosa também é uma marca forte do nosso povo, que celebra seus padroeiros São Pedro Apóstolo e São Francisco de Assis.
Hoje, Boca do Acre é um município vibrante que honra seu passado enquanto olha para o futuro. Com uma economia baseada na pecuária e na agricultura familiar, a cidade se destaca no cenário estadual como um exemplo de resiliência e trabalho.